Lar, doce estúdio - Dia #1

tiago pereira

Postado por tiago pereira em 31 de outubro de 2017

O professor de bateria Tiago está gravando o primeiro disco com a banda Somaa. Ele escreverá textos diários sobre essa experiência para compartilhar com os alunos. Serão cinco textos com detalhes interessantes do processo e curiosidades. Confira como foi o primeiro dia.

 

Poucas atividades são mais prazerosas pra mim do que o processo de gravação em estúdio. No livro “Instrumental”, o pianista e escritor inglês James Rhodes fala um pouco sobre o quão libertador e excitante é estar em estúdio com toda uma estrutura e profissionais ali à disposição para que a arte aconteça. Eu me identifico muito com o relato dele. Existe uma mágica algo inexplicável nesse movimento de imersão para o registro de um trabalho musical inédito.

 

Os 520 quilômetros que separam minha residência em Joinville do estúdio Costella, no bairro Perdizes, em São Paulo, foram percorridos com a expectativa de que essa semana em que Nedilo Xavier, Rafael Zimath e eu passaremos aqui, completamente focados no registro do primeiro álbum do Somaa, será decisiva para nossa trajetória.

 

Nada indica que atrás da pequena porta de ferro do imóvel do número 1981 da rua Aimberé, cujo muro está quase completamente tomado por Ficus Pumila (trepadeira comum em todo o bairro), funciona um concorrido estúdio.

23131137_1595116653916581_257128012_o

Algumas das bandas de rock brasileiras mais relevantes da atualidade – e de que nós do Somaa mais gostamos, como Menores Atos, Vivendo do Ócio, Zander e outras – gravaram aqui no estúdio Costella e obtiveram excelente resultado. Não são as bandas mais conhecidos do público em geral, claro, mas seguramente são bandas que tiraram grandes sons em seus registros.

 

A sala de gravação de bateria, com seus 20 metros quadrados e pé direito de mais de quatro, oferecerá algo que eu nunca consegui obter a contento em nenhuma gravação de que participei até hoje: o som da ambiência, algo muito parecido com o que escutamos quando estamos a alguns metros de alguém tocando bateria.

23157893_1595116507249929_396941913_o

Gabriel Zander (ou Bil), o responsável pelo estúdio e produtor que trabalhará com a gente, entendeu logo de cara meu anseio pelo “som de sala” e espalhou três microfones em partes diferentes do ambiente. O resultado apareceu assim que passamos o som. O timbre da bateria (uma Tama Rock Star com bumbo de acrílico de 22″ feito por luthier) soou pesado e orgânico, exatamente como eu esperava.

Nosso cronograma previa que a segunda-feira seria reservada a ajustes de timbre e passagem de som, mas a coisa rendeu e já apertamos o rec no primeiro dia. “Curvas”, um punk rock à lá Bob Mould, foi a primeira a ser registrada, em três takes. Tentamos fazer sem metrônomo, mas o click a 107bpm me trouxe muito mais segurança e acabamos gravando ela ao vivo (os três tocando simultaneamente), mas com metrônomo. Depois de captada a bateria definitiva, alguns ajustes no baixo e na guitarra e pronto: temos um single.

 

Às 14h de terça-feira começa a sessão do segundo dia. Lá por meia-noite esperamos ter um Ep completo.

 

No decorrer dos dias vou escrevendo sobre as outras músicas e aspectos interessantes do processo de gravação.

 

Falou!

Comente via Facebook

COMENTEVIA FACEBOOK